HomeSaúdePiso da enfermagem: veto de Bolsonaro a reajuste automático põe em risco...

Piso da enfermagem: veto de Bolsonaro a reajuste automático põe em risco conquista da categoria

Presidente cortou do PL a previsão de correção anual pelo INPC; Cofen lamenta e contesta decisão

O veto parcial do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao projeto que estabelece o piso nacional da enfermagem pode comprometer, ao longo dos próximos anos, a conquista da categoria, por cancelar o reajuste anual dos salários pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A criação do piso foi oficializada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta (5), com a instituição da recém-criada Lei 14.434/22.

Calculado de forma contínua e sistemática pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o INPC mede a inflação de uma série de produtos e serviços que são comercializados no país no âmbito do varejo e que se relacionam com o consumo pessoal das famílias brasileiras. Por conta disso, é considerado pelas entidades representativas dos enfermeiros como uma taxa importante para dimensionar e referenciar o ganho salarial a cada ano.

A ideia de correção dos salários pelo INPC surgiu nas vésperas da votação do PL no Senado, em novembro do ano passado, quando a relatora do texto, Zenaide Maia (Pros-RN), acatou uma emenda proposta pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MS). Esta última propôs o reajuste anual como forma de compensar o fato de as negociações em torno do PL terem levado a uma baixa no piso inicialmente demandado pelos enfermeiros.

O texto original do PL 2564, cunhado pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), propunha um piso de R$ 7.315 mensais para enfermeiros, com garantia de 70% desse valor para técnicos de enfermagem e 50% para parteiras e auxiliares. Mas as barreiras políticas impostas por setores mais resistentes à pauta fizeram com que a proposta baixasse o piso para R$ 4.750, considerando os mesmos percentuais para os demais profissionais mencionados.

“O cenário não estava sendo favorável a esse valor, então, os parlamentares entenderam que seria preciso baixar pra que o PL pudesse passar. Só que o valor saiu de R$ 7.315 pra R$ 4.750 – ou seja, abaixo da média salarial geral dos enfermeiros, que era de mais de R$ 5 mil, como foi verificado na Rais, em 2019 –, e a gente acabou ficando com um piso que era abaixo da média porque eles deram uma garantia de que haveria reajuste anual”, relembra a presidenta da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), Shirley Morales.

A Rais a que a dirigente se refere é a Relação Anual de Informações Sociais, documento produzido por pessoas jurídicas e outros empregadores que fornecem dados ao Ministério do Trabalho para que a pasta possa controlar a atividade trabalhista no país, elaborar estatísticas, entre outras coisas. O dispositivo foi instituído por meio de um decreto formatado em 1975 e é utilizado como referência formal.

“Não havendo correção, logo, logo esses valores do piso, que já são baixos, se tornarão ínfimos, por isso que a gente vai insistir muito pra manter o texto original. Mas, ao mesmo tempo, o piso já está valendo nos termos do que foi sancionado”, afirma Daniel Menezes, tesoureiro do Cofen.

MATÉRIAS RELACIONADAS

Resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor coloque seu nome aqui

MAIS POPULAR