Acanarp e parceiros realizam o primeiro fórum regional pelo fim da violência contra a mulher 

O evento foi realizado no sábado, 28 de março, na Fundação Cultural de Rio do Sul 

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Preta abre o Fórum - Foto Aurio Gislon
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O 1° Fórum Regional pelo Fim da Violência Contra a Mulher, organizado pela Associação Cultural Anastácia da Raça Negra Ação Popular da Região do Alto Vale do Itajaí (Acanarp) e parceiros, superou as expectativas em relação ao público e conteúdo, incluindo a participação de homens. O evento visou criar uma rede de apoio para combater o aumento da violência, especialmente diante da postura de alguns políticos. A organização está feliz com o sucesso e pretende fortalecer as redes de apoio, com planos de expansão para níveis estadual e federal.

A presidente da Acarnap, Deisiane Fontanive, popular Preta, disse que a adesão do público foi expressiva, incluindo a participação de homens, que foram muito bem recebidos. “As palestrantes e convidadas foram acolhedoras, demonstrando a necessidade de uma ação conjunta para combater o crescente problema da violência. O evento também abordou a crescente desinibição de certos políticos, especialmente homens brancos e heterossexuais, que manifestam comportamentos agressivos. Nossa intenção é crescer regionalmente e, almejamos, alcançar projeção estadual e federal. Agradecemos a todas as pessoas que participaram e antecipamos a realização de futuras edições”, afirmou Preta.

Viver sem violência é um direito e não um privilégio

Umas das palestrantes foi Bia Vargas, que foi candidata a vice-governadora em 2022 e chegou ao segundo turno com o candidato Décio Lima (PT) a governador. Bia falou sobre os vários tipos de violência contra as mulheres e explicou que muitas vezes as vítimas demoram para perceber que estão sendo violentadas, seja psicologicamente, fisicamente ou socialmente. E finalizou sua palestra afirmando que “viver sem violência é um direito e não um privilégio”.

O pré-candidato a deputado estadual, Rodrigo Preis, ex-prefeito de Rio do Campo e atual coordenador da Federação da Agricultura Familiar de Santa Catarina, também participou desse Fórum e salientou que essa luta é de toda a sociedade e que não dá mais para continuar vendo nos espaços de poder pessoas que criminalizam essa pauta. “Tal postura só ajuda a aumentar a violência contra as mulheres e os tristes casos de feminicídio que crescem em Santa Catarina e no país. As lutas por direitos, respeito e dignidade dos movimentos feministas têm todo nosso reconhecimento e apoio. Estamos juntos nessa luta”, afirmou Rodrigo, que participou do evento pela manhã e no período da tarde e da noite cumpriu outras agendas na região.

O 1° Fórum Regional pelo Fim da Violência Contra a Mulher teve mais de 200 inscrições. A Acarnap comemorou o sucesso do evento e agradeceu a participação de mulheres e homens que acreditam e lutam pelo fim dessa violência estrutural e social, muitas vezes normalizada e até incentivada por pessoas que deveriam dar exemplo de respeito mas chegam a usar tribunas para atacar quem luta e falar mal das leis que defendem a dignidade e punem os agressores. Exemplo prático foi a fala do vereador de Rio do Sul, Zeca Bitencourt (PP), que fez discurso misógino e de ódio na semana que passou, durante sessão da câmara de vereadores de Rio do Sul. Várias entidades repudiaram a fala do vereador e a Acanarp estuda a abertura de um processo judicial porque crime não é opinião e tal fala não tem imunidade parlamentar por se configurar como discurso criminoso e de propagação de ódio contra as mulheres, entende a presidente da Acanarp, Deisiane Fontanive, a Preta.

Público lotou o teatro da Fundação Cultural de Rio do Sul
Preta com membros da direção da Acanarp