O Jornal Alto Vale Online foi procurado por estudantes da Faculdade de Engenharia Mecatrônica (Engenharia de Controle e Automação) do Instituto Federal Catarinense de Rio do Sul que se opõem à transferência do curso para a sede do IFC Campus Rio do Sul, localizada na Serra Canoas. Argumentam que vai se tornar inviável porque na sede não tem espaço adequado e que o custo e o tempo com o deslocamento vai aumentar muito.
A prefeitura de Rio do Sul está pleiteando o compartilhamento ou todo o espaço no Bairro Progresso porque quer levar para lá parte da Policlínica Regional e outra parte ocuparia o prédio do antigo Fórum. O prefeito Manoel Pereira (PL) vem mantendo conversas com o governo do Estado e com a direção do IFC. O jornal entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura e foi informado que realmente o prefeito quer levar parte da policlínica para lá porque quer devolver o Verdão (prédio onde funciona atualmente a policlínica) para o Hospital Regional para fins de ampliação do hospital. Os estudantes contestam essa hipótese e, principalmente, a transferência do curso para a sede do IFC. De acordo com eles seria inviável o compartilhamento do espaço porque o Centro Tecnológico foi construído para ser voltado à educação e não à saúde. Citam como exemplo as oficinas que trabalham com soldas e emitem gases, que torna inviável essa possibilidade de divisão do espaço ao colocar em risco a saúde das pessoas. Além disso os estudantes têm parecer jurídico de que o compartilhamento do espaço fere a Lei Estadual 17.415/2017, que garantiu a cessão ao IFC.
Os estudantes e familiares fizeram abaixo-assinado pedindo a permanência do curso no Centro Tecnológico e fizeram uma consulta onde a maioria votou pela continuidade do curso no local.
O Centro Tecnológico foi cedido pelo governo do Estado ao IFC de Rio do Sul até 2037 e a cessão pode ser estendida em concordância das partes (Termo de Cessão 0038/2017). O local aporta oficinas, máquinas, laboratórios, auditório e salas de aula. Mais de 100 estudantes atualmente estão cursando Mecatrônica nessa unidade do IFC.
Informações extraoficiais do IFC é de que o Centro Tecnológico tem alto custo de manutenção e que sendo destinado ao município toda a comunidade local e regional seria beneficiada. O jornal entrou em contato com a direção do IFC para ouvir a posição oficial. Até o momento da publicação desta matéria não obteve resposta. Assim que receber vai publicar.
A importância da Faculdade de Engenharia Mecatrônica
É um privilégio para Rio do Sul e Região ter um curso federal tão atual e necessário para o desenvolvimento econômico e social. Confira a contextualização.
A Faculdade de Engenharia Mecatrônica (ou Engenharia de Controle e Automação) é extremamente importante no mundo contemporâneo por alguns motivos fundamentais. Ela forma profissionais que são a espinha dorsal da indústria moderna.
Aqui estão os principais pontos que explicam essa importância:
- Coração da Indústria 4.0
Estamos vivendo a quarta revolução industrial, onde fábricas se tornam “inteligentes” (smart factories). O engenheiro mecatrônico é o profissional mais preparado para lidar com essa realidade, pois ele domina as três áreas que se fundem nesse novo contexto:
Mecânica de precisão: A estrutura física, robôs e máquinas.
Eletrônica embarcada: Os sensores, atuadores e circuitos que dão vida às máquinas.
Sistemas de controle e software: O “cérebro” que usa inteligência artificial e algoritmos para tomar decisões e otimizar a produção.
- Alta Empregabilidade e Versatilidade
O profissional de mecatrônica não está preso a um único setor. Sua formação multidisciplinar permite que ele atue em áreas muito variadas, o que o torna resistente a crises em setores específicos. Exemplos de atuação:
Indústria Automotiva: Projetando carros autônomos, sistemas de freios ABS ou linhas de montagem robóticas.
Indústria Aeroespacial: Desenvolvendo sistemas de satélites e drones.
Biomedicina: Criando próteses inteligentes, robôs cirúrgicos (como o Da Vinci) e equipamentos de diagnóstico de ponta.
Energia: Atuando na automação de usinas hidrelétricas, eólicas e no controle de redes elétricas inteligentes (smart grids).
Agricultura: Desenvolvendo tratores autônomos, drones para pulverização e sistemas de irrigação automatizada.
- Motor da Inovação Tecnológica
A mecatrônica é a engenharia da inovação. Ela pega conceitos abstratos e os transforma em produtos tangíveis que resolvem problemas reais. Desde o simples portão automático de uma garagem até o complexo robô que explora Marte, tudo passa pela mão de um mecatrônico. É uma área que impulsiona o desenvolvimento de novas tecnologias, e não apenas as aplica.
- Pensamento Sistêmico e Resolução de Problemas
O curso ensina o aluno a pensar de forma integrada. O engenheiro mecatrônico não vê uma máquina apenas como peças mecânicas; ele a vê como um sistema completo, onde a parte elétrica, o software e a mecânica interagem o tempo todo. Essa capacidade de enxergar o todo é crucial para resolver problemas complexos de forma eficiente, otimizando processos e reduzindo custos.
- Aumento da Produtividade e Competitividade
Para um país ou empresa ser competitivo no mercado global, é preciso produzir mais, com melhor qualidade e menor custo. A automação, liderada pelos mecatrônicos, é a principal ferramenta para isso. Eles projetam sistemas que:
Aumentam a velocidade de produção.
Reduzem o desperdício de materiais.
Melhoram a precisão e a qualidade do produto final.
Tornam os processos mais seguros para os trabalhadores, ao transferir tarefas perigosas para robôs.
Em resumo:
A faculdade de Mecatrônica é importante porque ela forma o profissional que projeta, constrói e programa o futuro. Em um mundo que busca cada vez mais eficiência, precisão e inovação, o engenheiro mecatrônico é uma peça-chave para o desenvolvimento tecnológico e econômico da sociedade.




